15 de agosto de 2012

Audrey Spiry

Audrey é francesa, estudou design de objetos em Paris e, mais tarde, estudou animação e belas artes em Angoulême. Trabalhou no Institut d'Animation e fez freelas como quadrinista. Trabalha, também, como ilustradora. "Cada projeto artístico pode ter uma orientação que lhe é própria, isso que é interessante" - ela diz sobre o atuar no meio das artes, sem um caminho traçado, mas com um conjunto de projetos que formam aquilo que podemos chamar de "realização profissional".

Spiry brinca com pesperctiva e abusa do tanto de surreal que há em nosso cotidiano. Ela tem um domínio incrível de cores e volumes, e seu trabalho faz uma conexão muito rica entre as artes plásticas e os quadrinhos: um uso genial dos recursos da pintura para enriquecer a dinâmica e o leque visual de En Silence, sua primeira hq, lançada este ano pela Casterman e que está à venda aqui (infelizmente não há tradução - ainda). Graças à minha amiga Mariana pude ler En Silence, cujos requadros, um por um, seguram o leitor em plena admiração estética, esquecendo-se às vezes do enredo, o qual se divide entre a experiência de um grupo que faz um passeio aquático (praticando o esporte do  canyoning) e o monólogo interno de uma mulher deste grupo. As composições feitas com o rio e a floresta, as massas de água (que ganha vida, de modo singular), a falta de contorno que une as cores e distorce/abre figuras dizem muito ao leitor, que se perde em associações - eu, por exemplo, lembrei das texturas do Van Gogh e dos jogos de cor do Pedro Franz) e referências completamente novas (falo, pelo menos, do leitor brasileiro de quadrinhos). Não me prolongarei mais: no blog lerbd há uma ótima resenha sobre a obra.


Para quem lê em francês, há uma entrevista transcrita interessante com a autora no youtube.
O blog dela, com outros trabalhos: http://audreyspiry.blogspot.com

12 de agosto de 2012

Mohammad Ali Khalaji

Dica do meu amigo Danilo: Mohammad Ali Khalaji faz mestrado em Artes no Teerã. Faz animações e cartuns (já fez mais de 430), que lhe renderam 115 prêmios, nacionais e internacionais.

O trabalho dele é fortemente politizado, e sua técnica me lembrou a de Maurice Sendak, com cores desbotadas, texturas pontilhadas, formas redondas. O efeito surreal de alguns cartuns, somado às composições simples, é algo, pra mim, admirável. Alguns trabalhos dele abaixo:





Mais no site dele: http://mohammadalikhalaji.com

11 de agosto de 2012

Chris Ware

Vamos lá. Um pouco de Wikipédia em nossas vidas não faz mal:
Franklin Christenson Ware, estadunidense, é um quadrinista cuja obra explora temas como isolamento social, tormentos emocionais e depressão. Seus trabalhos mais notáveis são a série Acme Novelty Library, publicada pela Fantagraphics e depois auto-publicada, e Jimmy Corrigan, o garoto mais esperto do mundo, lançado no Brasil pela Quadrinhos na Cia, na tradução do Daniel Galera. Abaixo deixo um pequeno texto que escrevi sobre o Jimmy Corrigan logo depois de lê-lo, ainda estarrecida.


Jimmy Corrigan somos nós

"Emma Bovary, c'est moi" - É a singular frase de Gustave Flaubert, declarando seu amor e sua quase-total identidade com a personagem mais famosa de sua criação. Esta associação, que se faz clara apenas por uma declaração do próprio autor (enquanto sua ficção, antes desta certeza dada por seu criador, parecia pairar livremente), é feita, também, quando lemos a penúltima página de Jimmy Corrigan, em que Chris Ware ressalta algumas semelhanças entre a história do "garoto mais esperto do mundo" e sua própria história, com foco na relação com o pai. 

Tudo que consigo pensar, apesar de não ser Chris Ware é: Jimmy Corrigan, c'est moi. Se você espera por uma análise formal/estrutural/teórica do quadrinho (como muitos acadêmicos já fizeram), sinto em desapontá-lo, mas não consigo escrever racionalmente sobre algo que me afetou tanto, e de modo tão inesperado. As letrinhas miúdas e os vários quadradinhos assustam a princípio, mas antes que perceba o leitor mergulha em sua própria incompreensão e se deixa levar – por um livro cujo personagem principal é a materialização de tudo que não é sedutor. 



Aquelas cores cruas, personagens simplesmente desenhados em contraste com belos cenários, de uma desenvoltura que prende o leitor por mais de alguns míseros segundos nas páginas com magníficas construções, edifícios, esqueletos urbanos sabiamente entrelaçados... Aquele livro horizontal, que à primeira vista causa estranhamento, descansa confortavelmente no colo enquanto demoramos para virar suas páginas. O mar de palavras, por todos os lados, dentro e fora dos balões, dentro e fora dos requadros, numa ânsia terrível de contribuir para alguma inteligibilidade quando, na verdade, o que há é angústia, frustração e inconsciente (não precisamos de palavras, mas precisamos também, sem dúvida, do excesso delas). A terrível necessidade de preencher cada canto, alcançar o ponto antes do irredutível (os quadros minúsculos, resultados de múltiplas divisões, quase indecifráveis), a ilusão de não haver vazio. O incorporar a criança, enquanto a personagem que de fato é criança aprende, desde cedo, a ser adulta através do sofrimento. O ato, quase sem volta, de perder-se nos próprios pensamentos - ou melhor, perder-se no limite entre o que vivemos e o que pensamos. O barulho mental e a calmaria do lado de fora. Jimmy Corrigan sou eu, Jimmy Corrigan somos nós.

10 de agosto de 2012

David Galliquio

Pelo perfil do blog dele, parece que é de Lima, Peru. Muito viajados os quadrinhos, vale a pena dar uma olhada:  http://davidgalliquio.blogspot.com.br. Não sei por que, mas há um certo prazer em ler quadrinhos em espanhol. Ou quadrinhos insanos, sem medo de não fazer sentido. Vi a dica no twitter do Adão Iturrusgarai, acho.


Nina Bunjevac




Quadrinista e ilustradora da Iugoslávia. Muito bom o trabalho dela. Veja mais aqui: http://ninabunjevac.com

8 de agosto de 2012

Alison Bechdel

Testando, testando, 1, 2, 3...


A série Dykes To Watch Out For, da Bechdel, vicia mais que novela. E olha que nem vejo novela.