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3 de agosto de 2013

Adrian Tomine

Há algum tempo, a Gabriela me emprestou o Shortcomings, que sempre me chamou a atenção quando folheava em alguma livraria. É a única hq que conheço de Adrian Tomine, americano também reconhecido por suas ilustrações no The New Yorker e por sua série Optic Nerve. Shortcomings mostra um protagonista que se deixa levar por vários tipos de estereótipos, fazendo, às vezes, com que suas concepções distorcidas interfiram nas suas relações pessoais. A hq dá diferentes pontos de vista sobre o americano de descendência asiática, assim como sobre as lésbicas e bissexuais. Em meio à leitura senti muita raiva de algumas opiniões emitidas pelas personagens, que isoladas pareciam absurdas, mas me dei conta de que o que realmente dá raiva é que as personagens são idênticas a qualquer pessoa do meu círculo de convivência, incluindo eu mesma.
O traço do Tomine é algo maravilhoso de se apreciar. Limpo, meio seco e quadrado, com muita sombra e contraste p&b, cria (não sei como) figuras extremamente atraentes e orgânicas.




19 de dezembro de 2012

Lucy Knisley

Lucy Knisley (nascida em 1985) é uma garotinha supimpa, de Nova Iorque. Dela, apenas li o French Milk, que a Gabriela me emprestou. French Milk é uma mistura de quadrinhos e fotografias que mostra a ida de Lucy e sua mãe a Paris. A viagem é contada de um modo gostoso e especial, sendo intimista sem ser irrelevante ou chato. Lucy fala muito de comida (ela tem um tumblr com seus desenhos de comidas, que vai virar livro em 2013: snacklove.tumblr.com) e de literatura (em breve sairá, também, uma hq sobre o autor favorito dela, o Oscar Wilde - ela viajou para a Inglaterra e para a Irlanda com orçamento de crowdfunding). A sua produtividade é inspiradora! Dá pra ver mais do trampo dela aqui: www.lucyknisley.com



Ah, e como eu poderia esquecer? A Lucy fez sete painéis, cada um com o resumo de um dos sete volumes de Harry Potter. Ela tem vários desses trampos que ficam conhecidos na internet, com certeza você já esbarrou em algum deles.


8 de setembro de 2012

Agnès Maupré

Francesa, nascida em 1983. Fez arquitetura (parece que não chegou a concluir o curso), depois entrou na  Escola de Arte de Angoulême e, em seguida, nas Belas Artes em Paris. As suas ilustrações e hqs parecem ter um tom meio jovial, meio capa da revista The New Yorker, e algo muito forte de folclore e historicismo. Ainda não li nenhuma hq dela, mas estou bem curiosa. Infelizmente só foi lançada em Portugal até agora, pelo que vi. Sua principal publicação é a hq Milady de Winter.

Uma ilustra

Trecho da hq



15 de agosto de 2012

Audrey Spiry

Audrey é francesa, estudou design de objetos em Paris e, mais tarde, estudou animação e belas artes em Angoulême. Trabalhou no Institut d'Animation e fez freelas como quadrinista. Trabalha, também, como ilustradora. "Cada projeto artístico pode ter uma orientação que lhe é própria, isso que é interessante" - ela diz sobre o atuar no meio das artes, sem um caminho traçado, mas com um conjunto de projetos que formam aquilo que podemos chamar de "realização profissional".

Spiry brinca com pesperctiva e abusa do tanto de surreal que há em nosso cotidiano. Ela tem um domínio incrível de cores e volumes, e seu trabalho faz uma conexão muito rica entre as artes plásticas e os quadrinhos: um uso genial dos recursos da pintura para enriquecer a dinâmica e o leque visual de En Silence, sua primeira hq, lançada este ano pela Casterman e que está à venda aqui (infelizmente não há tradução - ainda). Graças à minha amiga Mariana pude ler En Silence, cujos requadros, um por um, seguram o leitor em plena admiração estética, esquecendo-se às vezes do enredo, o qual se divide entre a experiência de um grupo que faz um passeio aquático (praticando o esporte do  canyoning) e o monólogo interno de uma mulher deste grupo. As composições feitas com o rio e a floresta, as massas de água (que ganha vida, de modo singular), a falta de contorno que une as cores e distorce/abre figuras dizem muito ao leitor, que se perde em associações - eu, por exemplo, lembrei das texturas do Van Gogh e dos jogos de cor do Pedro Franz) e referências completamente novas (falo, pelo menos, do leitor brasileiro de quadrinhos). Não me prolongarei mais: no blog lerbd há uma ótima resenha sobre a obra.


Para quem lê em francês, há uma entrevista transcrita interessante com a autora no youtube.
O blog dela, com outros trabalhos: http://audreyspiry.blogspot.com