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3 de agosto de 2013

Adrian Tomine

Há algum tempo, a Gabriela me emprestou o Shortcomings, que sempre me chamou a atenção quando folheava em alguma livraria. É a única hq que conheço de Adrian Tomine, americano também reconhecido por suas ilustrações no The New Yorker e por sua série Optic Nerve. Shortcomings mostra um protagonista que se deixa levar por vários tipos de estereótipos, fazendo, às vezes, com que suas concepções distorcidas interfiram nas suas relações pessoais. A hq dá diferentes pontos de vista sobre o americano de descendência asiática, assim como sobre as lésbicas e bissexuais. Em meio à leitura senti muita raiva de algumas opiniões emitidas pelas personagens, que isoladas pareciam absurdas, mas me dei conta de que o que realmente dá raiva é que as personagens são idênticas a qualquer pessoa do meu círculo de convivência, incluindo eu mesma.
O traço do Tomine é algo maravilhoso de se apreciar. Limpo, meio seco e quadrado, com muita sombra e contraste p&b, cria (não sei como) figuras extremamente atraentes e orgânicas.




Bryan Lee O'Malley

Metade coreano e metade franco-canadense, O'Malley é mais conhecido por sua série de hqs do Scott Pilgrim. Antes de ter seu próprio trabalho publicado, ele ilustrou a hq Hopeless Savages. Seu primeiro trampo se chama Lost at Sea (download), de 2003, e os seis volumes de Scott Pilgrim foram lançados entre 2004 e 2010, ano em que também saiu a adaptação da série pro cinema. Pro Scott não tenho comentários, é absurdamente delicioso lê-lo. É um dos poucos quadrinhos que me fizeram gargalhar alto, não dá pra segurar!

Lost at Sea (2003)


Meu amigo Caio me sugeriu ler Lost at Sea, do qual eu gostei, mas ao mesmo tempo tive aflição ao ler. Os problemas da protagonista são narrados pela metade, de modo que apenas perto do fim o leitor entende mais ou menos o que aconteceu e o porquê de ela estar em crise. A hq tem uns enquadramentos um tanto incomuns, o que não deixa a leitura entediante, apesar da história se passar quase inteira dentro do carro e de hotéis de estrada. O traço não foi muito alterado em relação ao que é visto em Scott Pilgrim, assim como a abordagem do universo adolescente, havendo apenas o contraste da melancolia estática de Lost at Sea com o nonsense dinâmico de Scott.

Scott Pilgrim (2004-2010)

19 de dezembro de 2012

Lucy Knisley

Lucy Knisley (nascida em 1985) é uma garotinha supimpa, de Nova Iorque. Dela, apenas li o French Milk, que a Gabriela me emprestou. French Milk é uma mistura de quadrinhos e fotografias que mostra a ida de Lucy e sua mãe a Paris. A viagem é contada de um modo gostoso e especial, sendo intimista sem ser irrelevante ou chato. Lucy fala muito de comida (ela tem um tumblr com seus desenhos de comidas, que vai virar livro em 2013: snacklove.tumblr.com) e de literatura (em breve sairá, também, uma hq sobre o autor favorito dela, o Oscar Wilde - ela viajou para a Inglaterra e para a Irlanda com orçamento de crowdfunding). A sua produtividade é inspiradora! Dá pra ver mais do trampo dela aqui: www.lucyknisley.com



Ah, e como eu poderia esquecer? A Lucy fez sete painéis, cada um com o resumo de um dos sete volumes de Harry Potter. Ela tem vários desses trampos que ficam conhecidos na internet, com certeza você já esbarrou em algum deles.


5 de outubro de 2012

Laerte

No momento, não acho necessário escrever nada. Apenas colocarei algumas imagens, quando tiver cabeça pra isso, escrevo.

18 de setembro de 2012

Ralf König

Alemão, nascido em 1960, é um dos maiores quadrinistas de seu país, tendo sido traduzido para várias línguas. Assumidamente gay, trabalhou em seus quadrinhos (de traço totalmente comics) questões como a negação à "homossexualidade normativa", à falsidade da heteronormatividade "gay friendly", a busca pela verdadeira queerness (ou a schwul), que em seus comics é o modo de comportamento dominante, e não o oprimido. Seu trabalho, de autoficção, é uma importante atividade de ironia: Ele ri de si e dos outros a todo instante. 

Site: http://www.ralf-koenig.com

Edição 26/01/13:  Li o Archetyp (2009) e achei muito bom. Durante várias passagens não consegui evitar - gargalhei alto.


8 de setembro de 2012

Agnès Maupré

Francesa, nascida em 1983. Fez arquitetura (parece que não chegou a concluir o curso), depois entrou na  Escola de Arte de Angoulême e, em seguida, nas Belas Artes em Paris. As suas ilustrações e hqs parecem ter um tom meio jovial, meio capa da revista The New Yorker, e algo muito forte de folclore e historicismo. Ainda não li nenhuma hq dela, mas estou bem curiosa. Infelizmente só foi lançada em Portugal até agora, pelo que vi. Sua principal publicação é a hq Milady de Winter.

Uma ilustra

Trecho da hq



25 de agosto de 2012

Chester Brown

Brown nasceu no Canadá em 1960. Começou publicando a série "Yummy Fur", de onde surgiu o personagem "Ed, the Happy Clown", deixando-o famoso nos anos 80 como um dos pilares da "revolução dos quadrinhos adultos". A partir dos anos 90 publicou quadrinhos biográficos, como "Louis Riel" (um personagem histórico do Canadá), e autobiográficos, como "A Playboy" e "Pagando por sexo" - Chester costuma tratar de temas polêmicos em seus quadrinhos.
O nome dele sempre me foi familiar, mas nunca havia lido nada dele, até colocar as mãos no "A Playboy" que meu amigo Will me emprestou. As páginas, em sua maioria cobertas de preto e com apenas dois grandes quadros em cada, causaram estranhamento a princípio. Sem contar o traço tosco e caricatural de Chester, que parece desenhar todos à sua volta de modo "normal", e a si mesmo de modo disforme. "A Playboy" mostra a relação ambígua de Chester com a tal revista, que dura desde o início de sua adolescência até os dias atuais, passando por momentos de amor e ódio: Com medo de ser pego de surpresa, ele esconde os exemplares que compra, joga-os fora, ou os queima. "Arrependido", compra vários de novo em sebos que visita, e repete o mesmo ato diversas vezes. Ao longo de toda a história há o "diabinho" de sua consciência, que narra a maior parte da história. É uma hq que incomoda e vicia ao mesmo tempo. Não vejo a hora de ler "Pagando por sexo", que, além de ter uma introdução do Robert Crumb na edição, mostra a decisão de Chester de apenas de relacionar com prostitutas.

Edição dezembro/12: Li "Pagando por sexo" e gostei muito, vale a pena. Admiro no Chester a mistura dele de coragem e timidez.



15 de agosto de 2012

Audrey Spiry

Audrey é francesa, estudou design de objetos em Paris e, mais tarde, estudou animação e belas artes em Angoulême. Trabalhou no Institut d'Animation e fez freelas como quadrinista. Trabalha, também, como ilustradora. "Cada projeto artístico pode ter uma orientação que lhe é própria, isso que é interessante" - ela diz sobre o atuar no meio das artes, sem um caminho traçado, mas com um conjunto de projetos que formam aquilo que podemos chamar de "realização profissional".

Spiry brinca com pesperctiva e abusa do tanto de surreal que há em nosso cotidiano. Ela tem um domínio incrível de cores e volumes, e seu trabalho faz uma conexão muito rica entre as artes plásticas e os quadrinhos: um uso genial dos recursos da pintura para enriquecer a dinâmica e o leque visual de En Silence, sua primeira hq, lançada este ano pela Casterman e que está à venda aqui (infelizmente não há tradução - ainda). Graças à minha amiga Mariana pude ler En Silence, cujos requadros, um por um, seguram o leitor em plena admiração estética, esquecendo-se às vezes do enredo, o qual se divide entre a experiência de um grupo que faz um passeio aquático (praticando o esporte do  canyoning) e o monólogo interno de uma mulher deste grupo. As composições feitas com o rio e a floresta, as massas de água (que ganha vida, de modo singular), a falta de contorno que une as cores e distorce/abre figuras dizem muito ao leitor, que se perde em associações - eu, por exemplo, lembrei das texturas do Van Gogh e dos jogos de cor do Pedro Franz) e referências completamente novas (falo, pelo menos, do leitor brasileiro de quadrinhos). Não me prolongarei mais: no blog lerbd há uma ótima resenha sobre a obra.


Para quem lê em francês, há uma entrevista transcrita interessante com a autora no youtube.
O blog dela, com outros trabalhos: http://audreyspiry.blogspot.com

11 de agosto de 2012

Chris Ware

Vamos lá. Um pouco de Wikipédia em nossas vidas não faz mal:
Franklin Christenson Ware, estadunidense, é um quadrinista cuja obra explora temas como isolamento social, tormentos emocionais e depressão. Seus trabalhos mais notáveis são a série Acme Novelty Library, publicada pela Fantagraphics e depois auto-publicada, e Jimmy Corrigan, o garoto mais esperto do mundo, lançado no Brasil pela Quadrinhos na Cia, na tradução do Daniel Galera. Abaixo deixo um pequeno texto que escrevi sobre o Jimmy Corrigan logo depois de lê-lo, ainda estarrecida.


Jimmy Corrigan somos nós

"Emma Bovary, c'est moi" - É a singular frase de Gustave Flaubert, declarando seu amor e sua quase-total identidade com a personagem mais famosa de sua criação. Esta associação, que se faz clara apenas por uma declaração do próprio autor (enquanto sua ficção, antes desta certeza dada por seu criador, parecia pairar livremente), é feita, também, quando lemos a penúltima página de Jimmy Corrigan, em que Chris Ware ressalta algumas semelhanças entre a história do "garoto mais esperto do mundo" e sua própria história, com foco na relação com o pai. 

Tudo que consigo pensar, apesar de não ser Chris Ware é: Jimmy Corrigan, c'est moi. Se você espera por uma análise formal/estrutural/teórica do quadrinho (como muitos acadêmicos já fizeram), sinto em desapontá-lo, mas não consigo escrever racionalmente sobre algo que me afetou tanto, e de modo tão inesperado. As letrinhas miúdas e os vários quadradinhos assustam a princípio, mas antes que perceba o leitor mergulha em sua própria incompreensão e se deixa levar – por um livro cujo personagem principal é a materialização de tudo que não é sedutor. 



Aquelas cores cruas, personagens simplesmente desenhados em contraste com belos cenários, de uma desenvoltura que prende o leitor por mais de alguns míseros segundos nas páginas com magníficas construções, edifícios, esqueletos urbanos sabiamente entrelaçados... Aquele livro horizontal, que à primeira vista causa estranhamento, descansa confortavelmente no colo enquanto demoramos para virar suas páginas. O mar de palavras, por todos os lados, dentro e fora dos balões, dentro e fora dos requadros, numa ânsia terrível de contribuir para alguma inteligibilidade quando, na verdade, o que há é angústia, frustração e inconsciente (não precisamos de palavras, mas precisamos também, sem dúvida, do excesso delas). A terrível necessidade de preencher cada canto, alcançar o ponto antes do irredutível (os quadros minúsculos, resultados de múltiplas divisões, quase indecifráveis), a ilusão de não haver vazio. O incorporar a criança, enquanto a personagem que de fato é criança aprende, desde cedo, a ser adulta através do sofrimento. O ato, quase sem volta, de perder-se nos próprios pensamentos - ou melhor, perder-se no limite entre o que vivemos e o que pensamos. O barulho mental e a calmaria do lado de fora. Jimmy Corrigan sou eu, Jimmy Corrigan somos nós.

10 de agosto de 2012

David Galliquio

Pelo perfil do blog dele, parece que é de Lima, Peru. Muito viajados os quadrinhos, vale a pena dar uma olhada:  http://davidgalliquio.blogspot.com.br. Não sei por que, mas há um certo prazer em ler quadrinhos em espanhol. Ou quadrinhos insanos, sem medo de não fazer sentido. Vi a dica no twitter do Adão Iturrusgarai, acho.


Nina Bunjevac




Quadrinista e ilustradora da Iugoslávia. Muito bom o trabalho dela. Veja mais aqui: http://ninabunjevac.com

8 de agosto de 2012

Alison Bechdel

Testando, testando, 1, 2, 3...


A série Dykes To Watch Out For, da Bechdel, vicia mais que novela. E olha que nem vejo novela.